frevo

Recife, uma das cidades mais antigas do país, é conhecida como a Veneza Brasileira porque, ao contrário da maioria das cidades litorâneas, sua “vida” não está na orla, mas sim à beira dos rios Beberibe, Capibaribe, seus afluentes e os mais de 60 canais.

 

"Veneza Brasileira"

“Veneza Brasileira”

 

Por causa disso, os principais bairros históricos da cidade, como o Recife Antigo e Santo Antônio ficam em ilhas e são interligados às áreas mais modernas, como Boa Viagem e Parnamirim, por várias pontes, que são muito vivas na cidade e ganham até decoração especial durante as festas juninas e o Carnaval. Uma delas, a Mauricio de Nassau, é a ponte mais antiga do Brasil. 

 

Recife Antigo

Recife Antigo

 

Para entender essa dinâmica peculiar de rios e pontes por todos os lados, é interessante fazer o passeio de catamarã pelos rios, que sai do Cais das Cinco Pontas e dá uma visão bem bacana do patrimônio histórico. A rota do barco inclui as ilhas que compõem o Centro do Recife – Recife Antigo, Santo Antônio e São José.

 

Ponte Mauricio de Nassau, a mais antiga do Brasil.

Ponte Mauricio de Nassau, a mais antiga do Brasil.

 

 

Interior da Igreja Madre de Deus

Interior da Igreja Madre de Deus

 

A Rua Aurora, cheia de casas coloridas com arquitetura neoclássica do século 19 e residências luxuosas onde morava a nobreza tem seus edifícios refletidos nas águas e isso é muito bonito de se ver. O catamarã também nos permite observar o Parque das Esculturas, a Igreja Madre de Deus e o Teatro Santa Isabel, com seus arcos, lagos jardins e esculturas. Os guias mostram e falam super bem sobre as marcas da invasão holandesa no século 17. E de noite, a cidade iluminada fica linda. 

 

A Rua Aurora refletida no Capiberibe

A Rua Aurora refletida no Capibaribe

 

 

Teatro Santa Isabel

Teatro Santa Isabel

 

Para quem não conhece, vale muito a pena. A visão geral é ótima e o passeio é bem agradável. 

 

Vamos voltar um pouco ao Parque das Esculturas: construído sobre um recife em frente ao Marco Zero (localizado no coração do Recife Antigo, a Praça Rio Branco, mais conhecida como Praça do Marco Zero, é o ponto de origem da capital de Pernambuco. No centro do solo da praça, preste atenção na Rosa do Ventos, do artista plástico pernambucano Cícero Dias.), o parque exibe uma exposição permanente composta por 90 esculturas de cerâmica assinadas pelo artista plástico pernambucano Francisco Brennand. A obra principal é a Coluna de Cristal, confeccionada em argila e bronze, com 32 metros de altura e inspirada em uma flor descoberta por Burle Marx. Do Marco Zero partem barquinhos que levam ao local. Bárbaro.

 

O incrível Parque das Esculturas

O incrível Parque das Esculturas

 

Sabiam que Recife foi uma das primeiras cidades nas Américas com conexão direita com a Europa e tem a única estação de atracação de dirigíveis no mundo preservada em sua estrutura original, a Torre do Zeppelin? Vejam a imagem do Zeppelin pousando no Recife em 1930! E a torre está lá, até hoje!

 

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Imagina que máximo? Amei saber que a torre está lá até hoje, super bem preservada.

 

Recife é aquele tipo de lugar onde podemos ver arte na rua, já que ela está por todo canto, nas igrejas centenárias, nos prédios históricos, nos museus e nas esculturas de Francisco Brennand,  espalhadas pela cidade. Mas por onde começar um dia de passeio? Bem, iniciar o dia com uma caminhada pelo calçadão de Boa Viagem e Pina é sempre uma boa ideia. Toda a praia de Boa Viagem é protegida por uma barreira de recifes naturais e foram justamente eles que deram nome à cidade. Na maré baixa, aparecem as piscinas naturais ao longo da praia e é possível andar sobre os recifes que são largos e planos mas também escorregadios. Quando a maré sobe, os recifes ficam completamente cobertos pela água porém, devido ao ataque de tubarões, não se recomenda nadar ou surfar além dos recifes. Não vão se aventurar hein, pelamore!

 

A orla de Boa Viagem e seus recifes

A orla de Boa Viagem e seus recifes

 

Depois, vá para a região central e visite pontos como a Casa da Cultura, a Capela Dourada, o Centro Cultural Judaico e o Forte de São Tiago das Cinco Pontas.

 

Oficina de Cerâmica Francisco Brennand. Visita IMPERDÍVEL

Oficina de Cerâmica Francisco Brennand. Visita IMPERDÍVEL

 

 

Há dois lugares que devem MUITO ser conhecidos: a Oficina de Cerâmica Francisco Brennand, onde uma arquitetura imponente serve de ambiente para as esculturas incríveis desse artista, e o Instituto Ricardo Brennand, também conhecido como Castelo São João, que reúne as obras de arte colecionadas ao longo de 50 anos pelo pernambucano que dá nome ao local. Ele possui acervos de obras das mais diferentes procedências e épocas. Esses dois ícones da arte pernambucana ficam no bairro da Várzea. É meio longe mas vale a pena, gente. 

 

O Instituto Ricardo Brennand. Demais, gente.

O Instituto Ricardo Brennand. Demais, gente.

 

As igrejas do Recife são um caso à parte. Herança do Brasil Colônia, são riquíssimas em arquitetura barroca e ouro, e estão concentradas no bairro histórico de Santo Antonio. A mais expressiva é a Capela Dourada, que faz parte do conjunto arquitetônico Igreja e Convento de Santo Antônio. Imaginem uma capela cujo interior é inteiro coberto de ouro, do chão até o teto. Uma coisa. Fora os painéis de azulejos portugueses, demais. Aproveite para visitar o Museu de Arte Sacra e a Igreja de Santo Antonio, tudo do ladinho um do outro. 

 

Muito ouro na Capela Dourada

Muito ouro na Capela Dourada

 

Outra igreja importante é a Basílica de Nossa Senhora do Carmo, com sua arquitetura rococó, seus doze altares secundários e mais a capela-mor também cheios de ouro. 

 

E a Igreja de São Pedro dos Clérigos, apesar de ser mais um notável exemplar do barroco, tem como ponto alto o larguinho à sua frente, o Pátio de São Pedro, que tem em seu entorno um conjunto de 29 casas coloniais super conservadas. Uma delas abriga o memorial de Luis Gonzaga. Outra, o de Chico Science. As demais são bares e restaurantes que ficam bem cheios à noite. Não dá para não ir, né? 

 

A Igreja e o Pátio

A Igreja e o Pátio

 

Além do Pátio São Pedro, outro lugar gastronomicamente bem estruturado na cidade é o eixo entre Boa Viagem e Pina. As ruas principais e suas travessas têm muitas opções de bares e restaurantes legais. E para quem gosta de bolo de rolo, aquele recheado com goiabada e massa finíssima enrolada em estilo rocambole, saiba que esta é uma das especialidades mais tradicionais do Recife, ou seja: você encontrará aos montes! Ui que delicia, não posso nem pensar. 

 

Bolo de rolo

Bolo de rolo

 

Impensável ir até Recife e não conhecer sua bela e divertida vizinha Olinda. São apenas 7 km que separam as duas cidades e Olinda é uma festa, tem que ir gente, não tem como não amar. Tem história pra quem gosta de história, igreja pra quem gosta de igreja, e para que gosta de arte e música, ali está cheio disso também. Fora que o clima de carnaval e as cores do frevo estão sempre lá. Durante o ano todo dá para ter amostras do que acontece pelas ladeiras da cidade durante a época mais festiva do ano. Aos domingos, no Alto da Sé, acontecem os ensaios do grupo Sambeiras – Samba de Ladeira e o tradicional Sambão do Preto Velho. Demais de bom, animadíssimo. 

 

Convento de São Francisco em Olinda. UAU.

Convento de São Francisco em Olinda. UAU.

 

 

Alto da Sé, Olinda. Que visual hein.

Alto da Sé, Olinda. Que visual hein.

 

Olinda também tem muitas igrejas históricas como a Igreja do Carmo, a Basílica de São Bento, a Igreja de São Salvador do Mundo – conhecida como Igreja da Sé -, Convento de São Francisco e Igreja Nossa Senhora das Neves. Interessante saber que a maioria das igrejas da cidade foi devastada durante a invasão holandesa e reconstruída depois pelos portugueses. Isso alterou estilos arquitetônicos e decorativos e deu a elas características bem particulares. 
 
 
Ladeira de Olinda

Ladeira de Olinda

 
 
Os bonecões no Carnaval. Fantástico.

Os bonecões no Carnaval. Fantástico.

 
 
Em Olinda há um elevador que dá acesso a uma vista panorâmica e isso é demais porque ver as igrejas contrastando com o mar e os coqueirais, além do casario antigo, lá de cima, é um show. 
 
 
Mosteiro de São Bento.

Mosteiro de São Bento.

 
 
Igreja do Carmo

Igreja do Carmo

 

Duplinha boa essa, Recife e Olinda…

 

Bom, para curtir o Recife, basta ir até lá. A cidade é agradabilíssima durante todo o ano, mas durante as festas juninas e o Carnaval, fica especial. Vamos?

 

veneza

Postado por às 15:16

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2 Comentários

  1. Alice disse:

    Olá Silvana!
    Amei seu post sobre o Recife, minha cidade. Muito bem escrito, parabéns. Apesar de alguns problemas que toda cidade grande tem, Recife é um lugar maravilhoso. Adoro Olinda também. Quem tiver a oportunidade de conhecer, não vai se arrepender. Bjs.

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